Seu nome influencia na sua vida mais do que você pensa, segundo a psicologia
O nome pode impactar no trabalho, na vida pessoal e até na autoestima.
Mas, para o psicólogo Yuri Busin, é importante não se prender aos estereótipos.
Entenda!
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Pode parecer apenas uma escolha estética ou afetiva, mas o nome que você recebe ao
nascer tem impacto real na forma como o mundo te enxerga — e até em como você
se enxerga. Estudos mostram que o nome pode influenciar desde oportunidades
profissionais até traços da personalidade. É o que sugere uma área de estudo da
psicologia chamada “determinismo nominativo”.
Em diferentes estudos, o professor Adam Alter, da Universidade de Nova
York, mostra que os nomes exercem um papel importante na formação das primeiras
impressões. Segundo ele, as palavras evocam imagens e associações mentais, o
que pode moldar a forma como percebemos os outros. Com isso, um simples nome
pode influenciar drasticamente as interações sociais, funcionando, em muitos
casos, como um tipo de estereótipo.
Outras pesquisas reforçam essa teoria — entre elas, uma pesquisa feita
nos Estados Unidos que investigou se advogadas teriam mais chances de se tornar
juízas caso tivessem nomes considerados mais masculinos. O resultado, como era
de se esperar, foi positivo, dando origem à chamada “Hipótese de Portia”, uma
referência à personagem de "O Mercador de Veneza", de Shakespeare,
que se disfarça de homem para poder atuar em um tribunal.
Além disso, um estudo da Universidade Hebraica de Jerusalém revelou que
os nomes realmente podem influenciar nossa aparência. De forma inconsciente, as
pessoas tendem a ajustar aspectos da própria imagem — como o corte de cabelo ou
as expressões faciais — para corresponder ao que se espera de alguém com aquele
nome.
'Efeito da pronúncia do
nome'
Ter um nome fácil de pronunciar pode
favorecer tanto a vida profissional quanto a pessoal. É o que mostra uma
pesquisa conduzida por Simon Laham, da Universidade de Melbourne, e Adam Alter,
da New York University Stern School of Business. Publicado no Journal of
Experimental Social Psychology, o estudo analisou como a facilidade de
pronúncia de um nome pode influenciar a forma como uma pessoa é percebida e até
as decisões tomadas em relação a ela.
Os pesquisadores chamam esse fenômeno de “efeito da pronúncia do nome”:
pessoas com nomes fáceis e comuns tendem a ser percebidas de forma mais
positiva do que aquelas com nomes mais difíceis e raros. Esse efeito pode,
inclusive, influenciar decisões no ambiente profissional, fazendo com que elas
tenham maiores chances de receber um aumento ou promoção.
O estudo também revelou que advogados com nomes mais fáceis de
pronunciar tendem a progredir mais rápido na carreira. Eles chegaram a essa
conclusão a partir de uma análise de 500 nomes e sobrenomes em escritórios de
advocacia dos Estados Unidos. Além disso, os pesquisadores observaram que
candidatos a cargos políticos têm mais chances de serem eleitos quando seus
nomes são simples de dizer.
Nome e autoestima
O nome próprio pode ter um impacto na autoestima,
especialmente em relação a nomes muito raros e difíceis de pronunciar.
"Principalmente na infância, pode ser que atraia alguns tipos de
comentários, tenha bullying entre as
crianças. Pode, sim, naquele momento trazer ali algum desgaste, mas depois no
futuro isso se torna muito mais tranquilo", afirma Yuri Busin, psicólogo,
mestre e doutor em neurociência do comportamento e pós-graduado em psicologia
positiva e em terapia cognitivo-comportamental.
Mas, segundo ele, não é apenas o nome que traz esse peso. "Depende
da forma como a pessoa se relaciona com ele e com o mundo e quais valores ela
vai atribuir sobre aquilo", diz. Nomes raros também
podem trazer erros ortográficos constantes, mas, para o psicólogo, com o tempo,
as pessoas aprendem a lidar.
Além disso, quem tem um nome muito diferente pode se destacar entre os
demais, seja na vida ou na vida profissional. "Não é uma via de mão única,
a pessoa pode ter um nome diferente ou comum e mesmo assim ser extremamente
marcante por outros quesitos da personalidade", afirma.
É uma regra?
No entanto, vale destacar que essas teorias não são uma regra. "O
nome é o primeiro impacto de significado atribuído a nós. Mas é mais uma
questão mística, às vezes, mais espiritual, de significado e mais simbólica.
Não é uma questão de determinação, vai depender muito do viés que cada pessoa
acredita", afirma Yuri Busin.
Para ele, as pessoas não devem se prender aos estereótipos dos nomes.
Embora certas associações sejam inevitáveis, elas não são uma sentença de vida.
Fonte: G1






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